Montalegre

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Uma terra linda, com gentes simples, e de boas vontades

sexta-feira, 18 de março de 2011

História Breve Da Freguesia De Salto

O achado monetário de Salto compreende cerca de 3000 moedas, datadas do fim do III séc.; foi descoberto em Fevereiro de 1954 nas Fragas do Piago, próximo das Minas da Borralha, por um grupo de trabalhadores que pesquisavam volfrâmio na propriedade de Domingos José Martins, da Casa de Barroso, de Paredes.
Trata-se de “Antonianos”, moedas a que se tem aplicado a designação de terceiros bronzes, com diminuta percentagem de prata na liga ou no banho. As moedas, que apresentam efígies de diversos imperadores, sendo a maior parte de Galieno (1566), e de Cláudio II (924), foram cunhadas em diferentes pontos do Império: Colónia, Roma, Milão, Antioquia…
No limiar do séc. V os Suevos invadem o Noroeste peninsular, e fundam um reino com a capital em Braga. As actas de um dos Concílios de Lugo (569) fornecem notícia de que Salto se incluía entre as 30 freguesias que faziam parte da diocese de Braga.
Voltamos a ter notícia documental de Salto nas Inquirições de 1258.
A aldeia de Pereira possuiu carta de aforamento real de dois casais de D. Afonso III, passada por este monarca em 1268.
Em 1320 a Igreja de Sta. Maria de Salto era taxada em 200 libras. Esta igreja de Sta. Maria de Salto e a igreja de Sta. Senhorinha de Basto“ são unidas in perpetuum”.

D. João I, como recompensa pelos serviços prestados, deu a Nun’Álvares, em 1386, o senhorio de Barroso. O Santo Condestável, por sua vez, doou Barroso a D. Afonso, filho do Mestre de Avis, por ocasião do casamento do príncipe com sua filha D. Beatriz.

O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14.
Um estudo histórico-estatístico datado de 1768 indica que a paróquia de Salto, com 200 fogos, tem apresentação do padroeiro pelo Abade de Sta. Senhorinha, Reitor, tendo 200 000 reis por rendimento.
Na obra “Montalegre – Memórias e História”, de Rogério Borralheiro, no quadro referente aos rendimentos eclesiásticos das Paróquias de Montalegre, em 1758, além destes 200 000 réis anotam-se mais “doze mil réis em dinheiro e trinta alqueires de centeio que deve pagar o colhedor da renda para o cura”.
Salto é, nessa data, a freguesia com maior número de capelas – Santa Comba, S. Tiago, Senhora do Amparo, S. Domingos, Santa Maria Madalena, Santa Quitéria, Senhora das Neves, S. Bento, S. Pedro, Santo António, Santa Bárbara, S. João, S. Frutuoso, S. Gonçalo, Santa Catarina e S. Martinho – e uma das paróquias com irmandade. Salto é também a freguesia com mais invocações – 23 (16 nas capelas mais 7 na matriz).
Consta esta freguesia de duzentos fogos e de novecentas pessoas de sacramento, dividida em dezoito lugares ou aldeias de quazi semelhantes ares e clima frigidíssimo.
Salto e Cerdeira (…) constam ambos de trinta vizinhos; Linharelhos consta de doze fogos; Caniçó, treze; Paredes, quatro; Corva, dezoito; Ameal, cinco; Bagulham, dez; Ludeirodarque, seis; Póvoa, nove; Carvalho, onze; Beçós, dez; Reboreda, vinte; Taboadella, seis; Seara, cinco; Pereira, nove; Amear, vinte e Pomar da Rainha, seis.


Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; Pomar de Rainha, 48; Póvoa, 34; Reboreda, 91; Salto, 113; Cerdeira, 34; Tabuadela, 59.
p. 343 – “Vêem-se pelo adro (da igreja da Senhora do Pranto) quatro ou sinco muimentos ou carneiro de pedra inteiriça com cobertoira da mesma pedra abertos por dentro em modo que podem ser depozito de hum cadaver. Não há notícia do que para que serviram.desviada a cobertura vêem-se ossos de defunto.”


Aldeias “Dizimadas” – Madanelas, Casas da Lama da Póvoa, lugar de Oliveira, Cristelo da Seara
o. ribeiro – op. geog. P. 353
as pestilências levavam ao despovoamento completo de povoações, até de carta importância. Chaves, segundo o numeramento de 1527, “ao presente, por respeito da peste, está despovoada, que não há aí ninguém”: de 385 fogos na vila e arrabaldes, 80 despovoaram-se por morte, “os mais são fugidos”. À mortandade acrescia o pavor dos ares corrompidos, que causava a debandada.
As invasões de formigas e gafanhotos e as ameaças de lobos ou salteadores são invocadas para explicar o abandono de certos lugares: é impossível separar o real do lendário; por qualquer motivo (mortes, emigração), um povoado vai-se reduzindo, caindo as casas em ruínas, ficando apenas os velhos que não têm para onde ir, e com o falecimento dos últimos, de todo se extingue.








1 comentário:

  1. Caríssimos,
    Poderão me informar se existem obras bibliográficas e estudos em gerald voltados para a genealogia de famílias de Montalegre e seu termo?
    Tenho efetuado pesquisas, via internet, e não tenho encontrado algum resultado, a exceção de trabalhos voltados a história regional, mesmo assim muito poucos.
    Em particular, tenho principiado estudos sobre as famílias Afonso, Pereira, Pires, Alvim e Barroso, todas entrelaçadas entre si, baseadas principalmente na Freguesia de Salto e vizinhas, e com um ramo na cidade do Porto.
    Tenho já em andamento pesquisas nos processos de ordenação sacerdotal da Sé de Braga (feliz indicação do ilustre José António Reis), colhendo já algum resultado, posto que os registros paroquiais existentes (sobreviventes) são da segunda metade do séc. XIX, e interessa-me especialmente os dois séculos anteriores.
    Qualquer indicação poderá me ser muito útil.
    Obrigado.

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